Políticas
1. OBJETIVO
O objetivo da presente Política é definir os princípios e diretrizes para prevenir a utilização dos
serviços da MY GATEWAY para as práticas de lavagem de dinheiro e de financiamento do
terrorismo (PLD/FT).
2. VOCABULÁRIO
● Banco Central do Brasil (“BCB”) – Autarquia federal criada pela Lei no 4.595/1964, responsável por regular e fiscalizar as Instituições Financeiras e demais Instituições autorizadas a funcionar.
● Beneficiário Final – Pessoa natural ou pessoas naturais que, em conjunto, possuam, controlam ou influenciam significativamente, direta ou indiretamente, um cliente ou parceiro em nome do qual uma transação esteja sendo conduzida ou dela se beneficie. O representante, inclusive o procurador e o preposto, que exerça comando de fato sobre as atividades da pessoa jurídica é também considerado beneficiário final.
● Conselho de Controle de Atividades Financeiras (“COAF”) – Unidade de Inteligência Financeira (UIF) do Brasil. Tem como finalidade disciplinar, aplicar penas administrativas, receber, examinar e identificar as ocorrências suspeitas de atividades ilícitas previstas na Lei no 9.613/1998, sem prejuízo da competência de outros órgãos e entidades.
● Financiamento do Terrorismo – Oferecimento ou aplicação de recursos,
independentemente da forma, com a finalidade de financiar, total ou parcialmente,
pessoa, grupo de pessoas, associação, entidade, ou organização criminosa que tenha
como atividade principal ou secundária, mesmo em caráter eventual, a prática de
terrorismo (crime tipificado na Lei no 13.260/2016).
● Know Your Customer (“KYC”) – Conjunto de procedimentos destinados a conhecer o perfil do cliente, com o objetivo de minimizar riscos no estabelecimento ou manutenção de relacionamento comercial.
● Know Your Partner (“KYP”) – Conjunto de procedimentos destinados a conhecer o
perfil dos parceiros, com o objetivo de prevenir a realização de negócios com partes
suspeitas de envolvimento em atividades ilícitas, bem como assegurar que tais
parceiros possuam procedimentos adequados de PLD/FT, quando exigível.
● Know Your Supplier (“KYS”) – Conjunto de procedimentos destinados a conhecer o perfil dos fornecedores, com o objetivo prevenir a contratação de partes suspeitas de envolvimento em atividades ilícitas, bem como assegurar que tais fornecedores possuam procedimentos adequados de PLD/FT, quando exigível.
● Lavagem de Dinheiro – Ocultação ou dissimulação da natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal (crimes tipificados na Lei no 9.613/1998).
● Pessoas Expostas Politicamente (“PEP ́s”) – Pessoas que desempenham ou tenham desempenhado, nos últimos 5 (cinco) anos, no Brasil ou em países, territórios e dependências estrangeiras, cargos ou funções públicas relevantes, listados nas normas de PLD/FT editadas pelos órgãos reguladores e fiscalizadores. ● PLD/FT – Prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.
● Terrorismo – Prática por um ou mais indivíduos dos atos de terrorismo, por razões
de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando
cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo
pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública (crime tipificado na Lei no
13.260/2016).
3. BASES LEGAIS
● Lei n° 9.613/1998 – Dispõe sobre os crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos previstos nesta Lei; cria o COAF, e dá outras providências.
● Lei Complementar n° 105/2001 – Dispõe sobre o sigilo das operações de Instituições Financeiras e dá outras providências.
● Lei no 13.260/2016 – Regulamenta o disposto no inciso XLIII do art. 5o da
Constituição Federal, disciplinando o terrorismo, tratando de disposições
investigatórias e processuais e reformulando o conceito de organização terrorista.
● Lei no 13.810/2019 – Dispõe sobre o cumprimento de sanções impostas por
resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, incluída a indisponibilidade
de ativos de pessoas naturais e jurídicas e de entidades, e a designação nacional de pessoas investigadas ou acusadas de terrorismo, de seu financiamento ou de atos a
ele correlacionados.
● Circular BCB no 3.978/2020 – Dispõe sobre a política, os procedimentos e os controles internos a serem adotados pelas Instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil visando à prevenção da utilização do sistema financeiro para a prática dos crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, de que trata a Lei no 9.613/1998, e de financiamento do terrorismo, previsto na Lei no 13.260/2016.
● Carta Circular BCB n° 4.001/2020 – Divulga relação de operações e situações que podem configurar indícios de ocorrência dos crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, de que trata a Lei no 9.613/1998, e de financiamento ao terrorismo, previstos na Lei no 13.260/2016, passíveis de comunicação ao COAF.
● Resolução BCB no 131/2021 – Consolida as normas sobre o rito do processo administrativo sancionador, a aplicação de penalidades, o termo de compromisso, as medidas acautelatórias, a multa cominatória e o acordo administrativo em processo de supervisão, previstos na Lei no 13.506/2017, e os parâmetros para a aplicação das penalidades administrativas previstas na Lei no 9.613/1998.
● Instrução Normativa BCB no 262/2022 – Especifica e esclarece aspectos
operacionais dos procedimentos estabelecidos na Resolução BCB no 44/2020, para a
execução de medidas determinadas pela Lei no 13.810/2019, que dispõe sobre o
cumprimento de sanções impostas por resoluções do Conselho de Segurança das
Nações Unidas, incluída a indisponibilidade de ativos de pessoas naturais e jurídicas e
de entidades, bem como a designação nacional de pessoas investigadas ou acusadas
de terrorismo, seu financiamento ou atos correlacionados.
4. FASES DA LAVAGEM DE DINHEIRO
O processo de lavagem é dinâmico e é composto por 3 (três) fases:
● Colocação – Refere-se à colocação do dinheiro advindo de origem ilícita no sistema
econômico, que pode ocorrer por meio de depósitos, compra de instrumentos
negociáveis ou compra de bens.
● Ocultação – Consiste em dificultar o rastreamento contábil e financeiro dos recursos
ilícitos. Nesta fase, o criminoso irá realizar complexas e diversas movimentações
financeiras, a fim de desassociar o dinheiro da sua origem ilegal.
● Integração – Nesta última etapa, o dinheiro é incorporado no sistema econômico,
apresentando caráter aparentemente lícito e sendo disponibilizado aos criminosos
novamente.
5. RESPONSABILIDADES
5.1. DIRETORIA
É de responsabilidade da Diretoria da MY GATEWAY:
● Aprovar e manifestar-se sobre a presente Política e eventuais alterações procedimentais.
● Disponibilizar os recursos necessários à execução das atividades de PLD/FT.
● Supervisionar a efetividade dos controles internos adotados em razão da presente Política.
● Atuar comprometida com a efetividade e com o contínuo aperfeiçoamento da presente
Política.
5.2. SETOR DE COMPLIANCE
É de responsabilidade do Setor de Compliance:
● Realizar a Avaliação Interna de Risco (AIR) em matéria de PLD/FT.
● Analisar eventuais riscos de LD/FT frente ao lançamento de produtos, serviços e novas tecnologias.
● Realizar a checagem das contrapartes que se relacionam com a MY GATEWAY, bem como monitorá-las, de acordo com as Políticas e Manuais específicos.
● Identificar fragilidades nos processos e implementar medidas mitigatórias que se fazem necessárias.
● Promover eventos de fortalecimento da cultura organizacional e de capacitação sobre
temas de PLD/FT, bem como estimular a respectiva participação.
● Registrar todas as operações realizadas nos termos da legislação e regulamentação aplicáveis.
● Monitorar situações que possam caracterizar indícios de LD/FT, como propostas e operações de clientes e parceiros, por exemplo.
● Verificar o nome das contrapartes que se relacionam com a MY GATEWAY em listas
de sanções ou restrições emitidas por organismos nacionais e internacionais e em
resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) e de seus comitês,
relativas à indisponibilidade de bens, ativos e valores.
5.3. AUDITORIA INTERNA
É de responsabilidade da Auditoria Interna a identificação com base em amostragens o
cumprimento das diretrizes desta Política e dos procedimentos implementados em razão dela.
5.4. DEMAIS SETORES
É de responsabilidade de todos os Setores da MY GATEWAY que solicitem ao Setor de
Compliance a realização, previamente ao início do relacionamento com qualquer contraparte,
das devidas diligências necessárias para a correta identificação, qualificação e classificação
destes terceiros.
6. PROCEDIMENTOS
6.1. AVALIAÇÃO INTERNA DE RISCOS
A MY GATEWAY observa e aplica princípios éticos e de responsabilidade social, dentre eles,
a prevenção e o combate às práticas de lavagem de dinheiro e de financiamento do terrorismo,
bem como de quaisquer outros ilícitos, com vistas ao cumprimento da legislação e melhores
práticas de mercado.
A cada 2 (dois) anos, deverá ser realizado pelo Setor de Compliance a Avaliação Interna de
Risco (AIR), que tem como objetivo identificar e mensurar o risco de utilização de produtos e
serviços da MY GATEWAY para a prática da lavagem de dinheiro e financiamento do
terrorismo. Nesta Avaliação, será considerado os perfis de risco de clientes, da MY GATEWAY,
incluindo o modelo de negócio e a área geográfica de atuação, das operações, transações,
produtos e serviços, abrangendo os canais de distribuição e a utilização de novas tecnologias,
e as atividades exercidas por parceiros, fornecedores e prestadores de serviços.
Ressalta-se que, tanto a oferta de novos produtos e serviços, quanto a utilização de novas
tecnologias é condicionada à análise prévia dos riscos de sua utilização para a prática de
lavagem de dinheiro e de financiamento do terrorismo, bem como de quaisquer outros ilícitos.
A MY GATEWAY adota, com base na Avaliação Interna de Risco e nos critérios estabelecidos
na legislação e regulamentação aplicáveis, procedimentos de monitoramento, seleção e
análise, com o objetivo de identificar e dispensar especial atenção às propostas, operações e
situações que possam indicar suspeitas de lavagem de dinheiro ou de financiamento do
terrorismo.
6.2. DUE DILIGENCE
Previamente à realização de negócios, a MY GATEWAY adota procedimentos destinados a
conhecer seus parceiros (KYP) e seus clientes (KYC), incluindo procedimentos que assegurem
a devida diligência na identificação, qualificação e classificação, compatíveis com os perfis de
risco, de acordo a Avaliação Interna de Risco.
Os procedimentos de identificação de Clientes incluem:
● A obtenção de informações relativas ao nome completo e o número de registro no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), no caso de pessoa natural, e à firma ou denominação social e o número de registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), no caso de pessoa jurídica.
● A verificação e a validação da autenticidade das informações obtidas, mediante confrontação dessas informações com as fontes de pesquisa disponíveis.
● Verificação dos clientes pessoas naturais ou dos beneficiários finais dos clientes que
sejam pessoas jurídicas em listas restritivas nacionais e internacionais.
Os procedimentos de qualificação de clientes incluem a coleta de informações que permitam:
● Identificar o local de residência, no caso de pessoa natural, e o local da sede ou filial, no caso de pessoa jurídica.
● Avaliar a capacidade financeira, incluindo a renda, no caso de pessoa natural, ou o faturamento, no caso de pessoa jurídica.
● A verificação da condição como Pessoa Exposta Politicamente (PEP), bem como a
condição de representante, familiar ou estreito colaborador de PEP.
● A análise da cadeia de participação societária até a identificação da pessoa natural
caracterizada como seu beneficiário final.
Em se tratando de cliente considerado Pessoa Exposta Politicamente, seu representante,
familiar ou estreito colaborador, são adotados procedimentos específicos, conforme disposto
no Manual de Know Your Customer.
Os procedimentos relativos à identificação e qualificação de clientes deverão ser finalizados
previamente ao início de qualquer relacionamento com a MY GATEWAY, além disso, é vedado
o estabelecimento de parcerias com Instituições Financeiras constituídas em locais onde não
haja qualquer presença física e/ou que não sejam integradas a um grupo financeiro
regulamentado (“bancos de fachada” ou “shell banks”).
O cadastro das contrapartes que mantêm relacionamento com a MY GATEWAY é
periodicamente atualizado, de acordo com seus Manuais específicos.
Para a contratação de fornecedores (KYS), são adotados procedimentos de identificação,
qualificação e classificação de risco, com o objetivo de prevenir a realização de negócios com
contrapartes inidôneas ou suspeitas de envolvimento em atividades ilícitas, sendo que, todas
as informações prestadas pelo fornecedor devem ser validadas.
Tanto as operações realizadas pela MY GATEWAY, quanto às informações referentes aos
produtos e serviços contratados são registradas em sistemas informatizados, com observância
do disposto na legislação e nas regulamentações aplicáveis.
6.3. MONITORAMENTO
Alguns dos critérios utilizados no monitoramento são:
● Operações acima da capacidade financeira e patrimônio.
● Quantidade de operações no período.
● Os preceitos contidos na Carta Circular BCB no 4.001/2020.
● Operações fora do comportamento normal do cliente.
● Análise cadastral.
● Estrutura das operações.
● Operações realizadas oriundas de algum local de alto risco.
● Clientes de alto risco.
● Denúncias registradas no sistema interno.
● Análise da frequência das movimentações atípicas ou suspeitas.
● Reincidência de ocorrências.
● Análise do relatório de operações.
No âmbito do monitoramento e seleção de propostas, operações e situações suspeitas, há a
verificação do nome das contrapartes em listas de sanções ou restrições emitidas por
organismos nacionais e internacionais e em resoluções do Conselho de Segurança das Nações
Unidas (CSNU) e de seus comitês, relativas à indisponibilidade de bens, ativos e valores.
6.4. PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO
A MY GATEWAY adota programa para promoção da cultura organizacional e capacitação
contínua de seus prestadores de serviço sobre o tema PLD/FT. O programa tem como objetivo:
● Disseminar e fortalecer a cultura organizacional de PLD/FT.
● Reforçar o conhecimento e a compreensão sobre as obrigações legais e regulamentares relativas a PLD/FT.
● Reforçar a divulgação da Política, das normas e dos procedimentos internos de PLD/FT.
● Capacitar os participantes para o cumprimento da Política, das normas e dos
procedimentos internos de PLD/FT.
Os eventos de capacitação utilizam uma linguagem clara e acessível e seu conteúdo é
compatível com as funções desempenhadas pelos participantes.
6.5. AVALIAÇÃO DE EFETIVIDADE
A MY GATEWAY adota procedimentos para o acompanhamento e controle do processo de
PLD/FT pelo Setor de Compliance, com vistas a assegurar a implementação e a adequação da
Política, dos procedimentos e dos controles internos instituídos.
Dentre esses procedimentos a MY GATEWAY realiza, anualmente, Avaliação de Efetividade
da Política, dos procedimentos e dos controles internos de PLD/FT, para verificar a existência,
o cumprimento e a adequação das medidas destinadas a mitigar os riscos identificados na
Avaliação Interna de Risco, bem como para garantir o cumprimento da legislação e
regulamentação aplicáveis. Elaborando, quando necessário, plano de ação para sanar as
deficiências identificadas, bem como relatório de acompanhamento da implementação do
plano.
6.6. ARMAZENAMENTO DAS INFORMAÇÕES
A MY GATEWAY armazena, pelo período mínimo de 10 (dez) anos:
● As informações obtidas e utilizadas para a identificação, qualificação e classificação de clientes, contado o prazo a partir do primeiro dia do ano seguinte ao término do relacionamento.
● As informações obtidas e utilizadas para a identificação, qualificação e classificação de parceiros, de prestadores de serviços, e de fornecedores, contado o prazo a partir da data de encerramento da relação contratual.
● As informações relativas às operações realizadas, produtos e serviços contratados, contado o prazo a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da realização da operação.
● Dossiê relativo às análises de operações, situações ou propostas de operações
selecionadas com o objetivo de caracterizá-las ou não como suspeitas de lavagem de
dinheiro e de financiamento do terrorismo.
7. SANÇÕES
Em caso de violação ao disposto na presente Política, pode a MY GATEWAY, aplicar aos
infratores, após o devido processo de apuração, penalidades como à rescisão contratual, por
exemplo, sem prejuízo das medidas e sanções legais a serem estipuladas pelos órgãos
competentes.
8. DISPOSIÇÕES FINAIS
Esta Política de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (PLD/FT)
foi aprovada pela Diretoria da MY GATEWAY entrando em vigor na data de sua publicação, e deve ser atualizada anualmente, ou quando ocorrerem mudanças corporativas, na legislação
ou na regulamentação que demandem alterações.
9. HISTÓRICO
Versão Data Descrição 1.0 08/2025 Criação da Política de Prevenção à Lavagem de
Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (PLD/FT)
da MY GATEWAY.